A simplicidade de um recomeço parece difícil, mas pode ser natural.
A sequência de fatos vai acontecendo conforme você busca novos interesses, talvez um hobbi, novos gostos e novas amizades.
Mas o interessante é decidir se aquilo que te define, vai mudar. Acidentalmente ou até naturalmente você pode deixar coisas que você não queria deixar para trás ,com toda aquela bagagem de pensamentos e idéias que você achava fazer sentindo em determinado momento da sua vida.
Sobre querer

Eu quero escrever.
Sobre a vida.
Sobre os tons.
Sobre ser.
Sobre meu bem querer.
Eu quero gritar.
Que a arte não é sobre razão.
É o abstrato da alma do pintor.
A música cantada no corpo do compositor.
Eu quero pensar.
Que viver é seguro.
Que para o caos temos resposta.
Quero todas as reflexões.
O bom e o mal o ruim e o bem.
Eu quero ler.
Que não estamos em colapso.
Que há beleza no cerrado.
Quero mergulhar nos contos de Clarisse.
Então me deem os sonetos e contos da mãe literatura.
Os gritos de artistas e Marias.
Os pensamentos de Tales.
Toda arte vista e ouvida.
Sobre como elas(ela) vivem(vive)

Há quem ache que ela é a escuridão, se enganam, ela é o gliter no papel branco. Essa de quem eu falo não acredita -jamais- em pedidos de estrelas candentes, signos, nem se quer se comove com Natais ou retrospectivas que sua tia faz da família todo final de ano.
Era fim de tarde, o momento perfeito dos dias de semana -o céu se descobre as cinco da tarde- ela sai do trabalho e no ponto de ônibus consegue ter a visão perfeita das cinco da tarde.Tem o costume ou a mania -te dou liberdade para imagina-la da forma que sua mente quiser- de observar o mundo em câmera lenta, chega a se perder com as paisagens que encontra nas ruas.Nessa tarde, um casal se abraçava do outro lado da rua, uma senhora tinha dificuldade de andar com aquele amontoado de sacolas nos pulsos, por isso, um grupo de jovens foi ajuda-la, mas o que chamou sua atenção, foi o cara que assobiou para duas meninas de quinze ou dezesseis anos, toda semana ela observava ele declamar á uma menina um poema chamado:”Ei, gostosa”, o estômago revirava a cada palavra que escutava, os nervos quase saltavam, ela nunca passava perto do tal “poeta”.
Durante cinco dias por semana, essa era sua rotina as cinco da tarde.Num dia, o tal poeta seguia uma jovem de vinte ou dezenove anos até o fim da avenida, vendo aquilo, ela não conseguiu ficar calma, sua inquietude explodia como mil canções dentro de si, resolveu seguir os dois.
Ja cruzadas duas ruas, apertou o passo para chegar a garota:
– Oi, eu vi que tem um cara te seguindo e resolvi vir te encontrar, vamos dar meia volta e ir até a avenida que é mais movimentada.
Foi tudo tão rápido e nauseante, que a moça -que se chama Carolina, e estava indo buscar seu filho- mal teve tempo de responder, andaram quase que correndo até a avenida, sentiram o olhar repugnante do “poeta” sobre seus corpos. Chegaram á um ponto de ônibus, suas pernas tremiam, o coração perdeu o compasso, o pesadelo estava vivido, a causa da insegurança mais perversa dela. Olhou para o outro lado da rua e um grupo de amigos riam e um casal se beijava, mas Carolina tremia ao seu lado.
Já no ônibus ela pensava se o boletim que tinha feito iria fazer diferença naquela delegacia ou se iria ajudar alguma Carolina naquela avenida, pensou no que teria acontecido se tivesse voltado mais cedo para casa, pensou se ainda observaria aquele cara cuspir palavras para as mulheres, ela pensou muito e por muito tempo -chego a deduzir que ela ainda pense sobre isso.
Há quem ache que ela é a escuridão, ela não é o que pensam, ela é o que ela enxerga, o que sente, o que vive dentro de sua carne, ela é ou foi muito além do que um gliter num papel branco.
Sobre observar a vida

Sai para o dia, ele estava cinza e o clima pesado, ainda sim, sentei no banco mais próximo e respirei o ar úmido-vi beleza naquela manhã.
As árvores dançavam com o vento, o verde se misturava com o cinza, os pássaros com a calma apressada de conhecer as nuvens e compor suas canções. Naquele mundo, onde tudo acontecia em câmera lenta, consegui perceber os detalhes que fazem dele um mundo, uma terra.
Minha mente precisa de tempos em tempos da calma que as ondas transmitem, o cheiro da maresia e o salgado no paladar.
Nesses momentos em que minha percepção fica agussada e curiosa aos detalhes do mundo a minha volta, eu respiro, a levessa me encontra e a liberdade se torna minha amiga por uma manhã.
Felicidade com valor
A menina era duma criatividade imensa. Colocava a idéia na cabeça e se trancava no quarto até sua arte ficar pronta. Dedicação é a qualidade correta para defini-lá.No passeio do fim da tarde na praça, viu um brinquedo, se encantou, correu para o mesmo mas acabou caindo de cara no chão, olhou para cima e viu o valor do tal, levantou ainda tonta e esqueceu o riso na loja.
Voltou para a casa e procurou graça na varanda, na cozinha, no quarto. Esqueceu que a felicidade ainda estava ali, no quadro interminado, no desenho rasbicado. Se iludiu na felicidade temporária do tal brinquedo da praça.
Simplicidade

A simplicidade dos olhares
De dias comuns
A simplicidade de assistir um filme com a pessoa que ama
Isso me encantaEsses dias em que o sol é fraco
Mas ainda esquenta sua pele
O vento que queima a ponta do nariz
Essa simplicidade traz a leveza que o corpo buscaAs manhãs são tranquilas
O mesmo sol fraco
O pássaro compondo a canção
E a liberdade de escolhas possíveis de um dia simples
Referência
Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada.
E mesmo assim me sentir.
Como se estivesse plena de tudo.
– Clarice Lispector
O padrão
O padrão do corpo humano é a diferença
Etnias diversas
Mesmo que o país só foque em uma
Viemos da mistura
A mistura dos corpos
Das cores
Das culturas
Da arte
Hoje em dia a cor ainda pode te definir
Mesmo que o que valha é a estrutura
Estrutura da alma
Da beleza do que o corpo cria
Branco, negro ou pardo
Tua cor tem história
Viemos da mistura
Do povo
Solitude

A solidão é aterrorizante
Quando sentida
Não é compreendida
Sentimos que nos falta um pedaço
Estar sozinho me apavorava, era o bixo debaixo da cama
Tentei arranca-lo de lá
Mas virou parte do meu corpo
A busca de algo que vá preencher esse espaço
É inútil
Ficar sozinho é estar acompanhado de si